Homem tenta subir em lobo-marinho na Praia Central

Biólogos ficam preocupados

Por Redação 05/09/2017 - 09:10 hs
Foto: Laboratório de Ecologia e Conservação CEM/UFPR

A equipe do Centro de Estudos do Mar (CEM) da Universidade Federal do Paraná estuda remover para uma praia menos movimentada o lobo-marinho-subantártico, da espécie Arctocephalus tropicalis, que apareceu na sexta-feira (1º) e permanece na Praia Central de Guaratuba, no litoral do Estado.

O lobo-marinho virou atração turística durante o fim de semana e mobilizou moradores, Polícia Ambiental e especialistas do CEM para proteger o animal.

Entre sábado (2) e domingo (3), durante a madrugada, um homem que estava com um grupo de pessoas tentou montar no lobo-marinho. Durante o fim de semana, a Polícia e o CEM receberam diversas denúncias de molestamento.

“A gente está um pouco preocupado com relação ao feriado. Tiveram várias ocorrências no período noturno de molestamento do animal. Tentaram subir nele. Estamos tentando divulgar um alerta de que há uma legislação que pune esse comportamento com prisão de até dois anos. Estamos alertando, infelizmente, já que não deveria ser esse o nosso papel”, lamenta a bióloga Camila Domit, do CEM.

De acordo com a bióloga, a Polícia Ambiental não tem contingente para designar um agente exclusivamente para o monitoramento do animal. “Nós acompanhamos durante o dia e contamos com o apoio da comunidade durante a noite. Mas é muito difícil”, diz .

Depois das denúncias de molestamento, a prefeitura de Guaratuba e a comunidade cercaram um perímetro maior no arredor da praia e o trânsito de veículos da avenida beira-mar foi bloqueado no trecho. “Temos recebido muito apoio e isso é fundamental”, comemora a bióloga.

O sub-tenente Nelson Mansani, da Polícia Ambiental, afirma que ONGs tem ajudado no monitoramento da segurança. “Uma ONG se ofereceu para pagar uma empresa de segurança para acompanhar o animal o tempo todo”, conta.

“Fizemos também uma parceria com o município porque não temos esquipes para deixar um lá o tempo todo, mas temos feito rondas intensivas”, garante.

O sub-tenente confirma as ocorrências de molestamento. “Houve dois fatos, de pessoa que tentaram tirar fotos, e outro que tentou montar. Mas felizmente não houve nenhum dano ao animal. As pessoas que identificarmos, por meio de foto, mesmo na rede social, vamos encaminhar notícia crime e a pessoa será conduzida”, alerta. Apesar das denúncias, ninguém foi detido até o momento.

Remoção

O feriado prolongado de Sete de Setembro preocupa a equipe de monitoramento que estuda remover o animal para outra praia. “Não temos autorização, inclusive por convenção internacional, de isolar ‘in situ’, como a gente chama. Se a gente fizer isso será para levar a outra praia, ‘ex situ'”, diz Camila Domit.

“O trabalho é de sensibilização com a população, lembrando que a preservação da fauna é uma obrigada de toda a sociedade civil”, instrui.

De acordo com a bióloga, é comum a presença desses animais no litoral Sul durante o inverno. “É comum, eles vem e podem ficar várias semanas. Tivemos um caso de um leão marinho que ficou duas semanas em 2007. Ele pode ficar vários dias”, afirma.

Monitoramento de saúde

Também chamado de lobo-marinho-do-peito-branco devido a sua coloração pardo-amarelado no peito, garganta e face, o animal chegou à praia Central de Guaratuba na sexta-feira e vem sendo atendido e monitorado pela equipe do Laboratório de Ecologia e Conservação (UFPR) via Projeto Monitoramento de Praias PMP-BS, com o apoio da Polícia Ambiental e de moradores locais.

O atendimento médico veterinário realizado incluiu contenção, avaliação de parâmetros vitais, coleta de amostras para exames complementares e marcação. Simultaneamente informações sobre a biologia do animal e procedimentos executados, assim como cada cidadão pode colaborar com o bem estar do lobo-marinho, foram repassadas a comunidade que acompanhou o atendimento.

Camila Domit afirma que o animal está bem de saúde. “Ele está muito bem, só parece bem cansado, dorme bastante e isso é normal. Ele fica na areia ou calçada, não faz diferente. A calçada pra ele é como uma rocha marítima qualquer”, explica.

O animal tem origem subantartica, é um macho adulto, tem um corpo robusto, com a cabeça pequena, focinho curto e largo e longas vibrissas faciais. Os machos possuem o peito largo e espesso e um “topete” no topo da cabeça quando em idade reprodutiva. Já os machos maturos são consideravelmente maiores que as fêmeas, podendo chegar a 2 metros, enquanto as fêmeas chegam a 1,40 m.

A espécie habita principalmente as ilhas ao norte da Convergência Antártica, e as colônias reprodutivas são distribuídas entre o Atlântico Sul, oceano Pacífico e Índico. Alimentam-se basicamente de cefalópodes, e particularmente neste ano tivemos um número elevado de ocorrências desta espécie no litoral brasileiro em comparação a outros anos.

Aproximação

Uma recomendação da equipe a comunidade é de não se aproximar e deixar o animal descansar na areia. Estes animais costumam sair da água para descanso, o que é um comportamento comum da espécie, e podem ser agressivos caso se sintam ameaçados.

Possivelmente, devido ao cansaço, este animal poderá retornar a diferentes praias do Paraná para descansar.

A recomendação aos frequentadores das praias é de que caso avistem o animal, mantenham a área isolada, principalmente mantendo cachorros distantes, e nos avise (0800 642 3341) para que a equipe do Laboratório de Ecologia e Conservação da UFPR possa dar continuidade ao monitoramento.

Fonte: Paraná Portal