Um ano após a tragédia na BR-277 que deixou 6 mortos, inquérito não foi concluído

Caminhão-tanque carregado com combustível perdeu o controle, bateu em outros veículos e explodiu

Por Redação 04/07/2017 - 10:40 hs

Há um ano, no dia 3 de julho de 2016, um caminhão-tanque carregado com combustível perdeu o controle na BR-277, bateu em outros veículos e explodiu. Seis pessoas morreram. Doze meses depois, o inquérito segue aberto.

O motorista do caminhão, que sobreviveu ao acidente e chegou a ser preso, pagou fiança e responde em liberdade por homicídio doloso – quando se assume risco de matar. Na época da tragédia, ele afirmou à polícia que sabia – e que informou a empresa para a qual trabalhava – sobre problemas nos freios do veículo. Ainda assim, seguiu viagem, conforme relatou o delegado Antônio Pereira dos Santos.

“Quando ele iniciou a descida da Serra, o sistema de freios apresentou falhas. Na continuidade da descida, o sistema falhou por completo. Ele perdeu o controle e veio a se chocar na mureta de contenção”.

A falha no sistema de frenagem também foi apontada em um laudo feito pela Polícia Científica. Os tambores de freio do eixo traseiro do caminhão apresentaram coloração azulada na área de contato de frenagem, indício que revela o superaquecimento do sistema de frenagem do veículo. O mesmo aconteceu no terceiro eixo do tanque, que se soltou no momento do acidente.

O laudo também mostrou que o veículo trafegava acima da velocidade. De acordo com o documento, o caminhão estava descendo a Serra do Mar a 123 km/h. No trecho em que houve o acidente, a velocidade máxima é de 60 km/h.

Quem cuida do caso é a delegacia de Morretes, mas o delegado não aceitou gravar entrevista.

Em resposta, a assessoria de imprensa da Polícia Civil informou que o inquérito está “praticamente concluído, faltando apenas anexar alguns documentos e ouvir duas testemunhas que não são da cidade, por isso a demora”.

Também sobre a situação, a direção da Polícia Científica do Paraná afirmou que resta apenas a produção do laudo de uma vítima que teria se ferido durante o acidente, mas que só procurou recentemente pelo IML de Paranaguá. Conforme a informação repassada, esse laudo que precisa ser elaborado é de maior complexidade de análise, com necessidade de mais de uma avaliação do perito médico legista. A previsão é de que esse documento seja enviado nos próximos dias à Polícia Civil.

Bebê salvo das chamas

Após o acidente, o trabalho para encontrar desaparecidos seguiu. Duas foram encontrados sem vida e com os corpos parcialmente carbonizados às margens da rodovia. Elas eram a resposta para um mistério: uma bebê, encontrada sobre o canteiro logo após a tragédia, sem ferimentos e sozinha.

Trazida para o hospital Evangélico, onde foi acompanhada pelo pediatra Gilberto Pascolat, ela acabou por ser reconhecida pela avó. Os pais da pequena Maria Fernanda, de apenas dezoito dias de vida na época, morreram após colocá-la a salvo do fogo.

“Saíram de Morretes juntos, os três: a mãe, o marido e o bebê, ela provavelmente no bebê-conforto. Provavelmente, ela estava presa no bebê-conforto e alguém deve ter tirado ela quando houve o acidente. Ela tinha o cobertor e as roupas um pouquinho chamuscadas”.